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sexta-feira, 8 de junho de 2007

Jantar em Berlim vs Jantar em Portugal



Hoje, e aproveitando este magnifico espaço que é o Cone, vou finalmente aplicar os meus conhecimentos de sociologia (é verdade, aqui o Trepas andou 5 anos a estudar sociologia para trabalhar num banco!). Então lá vai.
Uma viagem por outros países, por outras culturas, faz-nos pensar no que significa realmente ser português. Neste caso em concreto tirei mais uma grande conclusão, ser português é ser complicado!

O local ideal para conhecermos um povo é à mesa. Um jantar ou almoço é suficiente para fazer uma radiografia dos hábitos quotidianos. Passo então a exemplificar-vos com Jantar em Berlim vs Jantar em Portugal:
Jantar em Berlim: (mas típico da Baviera – Obrigado Rita e seu respectivo, pelos magníficos momentos que nos proporcionaram nessa linda cidade! E já agora agradeço tambem à Rita a correcção do Post, o que experienciei foi um pequeno-almoço bávaro à hora de jantar... mas não deixou de ser muito bom!)
- Pão, salsichas, molhos, pickles e cerveja! Esta foi a base do jantar. Sempre descontraído e animado, mas, essencialmente, simples. Também não vejo o porquê de complicar a coisa.
Jantar em Portugal:
- Pão, azeitonas, manteigas, queijos e patês. Vinho branco, tinto e cerveja, prato principal (normalmente a necessitar de 4 horas para a sua confecção), sobremesa, fruta, café e cheirinho. A avó a dizer-nos que estamos magros e que temos de comer mais! Nós em negação porque ainda temos um monte de comida no prato que mais parece a Serra da Estrela, mas mesmo assim continuam a colocar-nos comida. Alguém que fala das doenças que teve, tem e vai ter. O sogro e o genro a discutirem qual o melhor clube português, se é o Benfica ou o Sporting, quando o Porto é que voltou a ganhar o campeonato (para grande tristeza minha). Os irmãos a discutirem porque um acha que a comida está insossa e o outro acha que está salgada... o caos!
Entretanto começa o telejornal. O caos continua até que uma das notícias, normalmente trágica, consegue acalmar as hostes à mesa. Mal finda a reportagem continuam as discussões, agravadas agora com o tema do noticiário. Ouve-se então a exclamação de alguém “Era apanha-los todos!”. Entretanto, ouve-se que as taxas de juro voltaram a subir e o pai diz "A culpa é do governo! Assim que estão no puleiro não fazem nada, esses chulos!". No telejornal, começam as notícias sobre o desporto. O sogro e o genro mandam todos os outros calarem-se, pois vão falar da vitória do Sporting. “Somos os maiores!” diz o sogro. “Foi um roubo!” responde o genro, “ pelo menos nós temos a Vanessa Fernandes!” continua o genro...
O certo é que, tal como uma bola de neve, os acontecimentos vão-se desencadeando à volta da mesa, aumentando de intensidade à medida que o vinho vai desaparecendo.
Finda a hora do repasto, chega também hora das tréguas e da calma, é a hora da telenovela.
Agora pergunto-me, como é que seria se alguém chupasse numa salsicha branca, como é tradição na Baviera?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Avião


Hoje começa a descrição da saga do Trepas por terras das salsichas, bem isto assim não soa nada bem. Ok! Vamos lá repetir esta introdução...
Hoje começa a descrição da saga do Trepas pelas terras das bolas. Continua a não soar nada bem! Enfim, estive em Berlim e vou começar a contar como tudo correu.
Mas antes de começar, fica aqui o meu conselho. Visitem Berlim. È uma cidade muito bonita, cheia de história e com pessoas muito simpáticas. Vale realmente a pena.
Passada a fase lamechas deste post, vamos então ao que interessa.
Para chegar a Berlim, as opções de viagem não eram muitas, até porque o tempo era curto e o avião era sem dúvida o melhor transporte para lá chegar. Ainda pensei ir às cavalitas da minha mais que tudo, mas ela, mais uma vez, não se mostrou muito receptiva a esta minha grande ideia e lá fomos nós de avião.
Para mim o avião é uma tortura. Não é realmente o transporte que mais me fascina! Passo a viagem inteira mais teso que um bacalhau, sempre encostado à cadeira, cinto posto, sem pronunciar uma única palavra, acenando apenas com a cabeça e mão pronta para sacar o colete salva-vidas. Qualquer barulho estranho ou turbulência é suficiente para que eu quase tenha um ataque cardíaco, enfim… não é definitivamente o meu meio. Quem me tira os pés do chão tira-me tudo, é que eu tenho pernas para andar e não asas para voar!
Mas lá fui eu, numa empresa de baixo custo. O facto de ser “baixo custo” ainda me deixou mais apreensivo. Eu acho que o Piloto disse ao tipo do combustível: “Oh! Chefe, ponha ai só 15 € de 95, quando estivermos lá em cima ponho isto em ponto morto, gasta menos!”
Outra situação que me deixou preocupado foi o facto dos passageiros serem divididos em classes, os SB, os A e os B. Ou seja, os que pagam mais são Speedy Boarders (1ºs a entrar no avião), os A são os que fazem os Check-In primeiro e são logo os segundos a entrar, por fim os B são a escumalha que não tem dinheiro para SB nem têm carro para chegar a tempo para a letra A, ficando assim como o refugo dos passageiros. Como é lógico fiquei com a letra B! Pensei também: “Será que em caso de saída de emergência eles só nos deixam sair depois do avião explodir?”
Mas o avião lá descolou e nem foi preciso dar um empurrão. Lá fui eu, durante 3 horas e meia, à rasca para ir à casa de banho, mas não me levantava do lugar por nada deste mundo.
Cheguei então a Berlim!!!