quinta-feira, 29 de março de 2007

Regresso ao passado

Olho com saudade para os meus tempos de primária. Era o primeiro a chegar à escola (mesmo antes da D. Arminda, a contínua que abria o portão) para aproveitar os minutos antes do sino tocar a jogar com uma bola feita com meias velhas.

Tinha os livros sempre brilhantemente forrados com plástico, para não se estragarem, mesmo não tendo irmãos mais novos que os pudessem utilizar no ano seguinte. Chegava a casa à tarde e, antes de ver o "Agora Escolha" despachava os trabalhos de casa todos.

Lembro-me que arrumava o material escolar meticulosamente na minha mesa, e, havia dias em que construía pequenos fortes que albergavam 2 ou 3 soldadinhos miniatura que levava escondidos no estojo.

Durante esses quatro anos (nunca chumbei na primária, acho que nem era possível...) desempenhei orgulhosamente o meu papel de aluno aplicado, só havendo uma arte que nunca consegui dominar...
A arte de manusear a "borracha de tinta".

Para aquela "malta jovem" que já só conheceu o chamado corrector, a "borracha de tinta" era uma borracha azul que servia, pasme-se, para apagar coisas escritas com tinta (esferográficas, canetas de feltro, etc., etc.).

Não era fácil encontrar o ponto exacto entre o não apagar rigorosamente nada e o fazer um buraco na folha de papel. E nas alturas mais complicadas não havia cá pejo em humedecer, com a ponta da língua, o cantinho azul da borracha para eliminar a linha mais teimosa.

O resultado acabava quase sempre por ser um buraco na folha, que depois, ao chegar a casa era passada a limpo de modo a manter o caderno sempre num mimo.

Tão ingénuo... tão estupidamente aplicado...

terça-feira, 27 de março de 2007

Realmente era o que mais faltava


Soube agora esta noticia e não podiam deixar de vir aqui postar.
Então não é que os Delfins estão preparados para lançar um novo álbum!!!
Acho que a questão a colocar devia ser: Será que estamos preparados para um novo álbum dos Delfins??

Acho que numa altura em que o Salazar ganhou a votação dos grandes portugueses, a Tvi lança novo Reality Show e até o Sporting vence no estádio Dragão com um golo do Tello, acho que sim, acho que o que mais faltava e vinha mesmo a calhar era um novo álbum dos Delfins...acho que sim...um novo álbum delfins...é isso...um novo álbum dos...arrrhhhhggg...Delfins!!!!!

sábado, 24 de março de 2007

O carteiro


Era Terça-Feira, 7h45 da manhã, quando desperta o alarme de lembretes do meu celular, saio espavorido da casa de banho rumo a uma divisão com televisão e clico no botão que acciona a caixinha mágica para ver o regresso do meu carteiro preferido ao pequeno ecrã.

Quando se acende a caixa mágica verifico que estão a dar outros bonecos animados, chego a pensar em desistir, mas algo dentro de mim me diz para deixar a televisão ligada, assim faço, continuo a minha vida mas deixo o aparelho em on.

Minutos mais tarde saio da casa de banho novamente, guiado por uma força que não consigo explicar, chego junto do aparelho e vejo aqueles olhos pequenitos, o nariz arrebitado e aquele ar simpático que o Pat sempre teve e que nunca perdeu passados estes anos todos. Fico louco de alegria...mas algo não estava bem...estava algo diferente, tinham feito alguma coisa ao carteiro Pat, começo a reparar que a voz da música do genérico não é a mesma, a letra mantém-se na sua generalidade com uma alteração que vem beliscar o bonito mundo do carteiro Pat, então eles agora chamam-lhe carteiro Paulo..."o carteiro Paulo, o carteiro Paulo, e seu gato preto e branco, Laralara Laaraalaaaa Laralara Laaraalaaa la la la la" .
Por amor de Deus, não estava bem carteiro Pat? Tinham mesmo que alterar o nome do senhor? Será que é por Pat não ser um nome português? E Noddy? E Bob? Serão estes nomes portugueses?
Assim o carteiro Pat perde um pouco da sua mística, eu sonhava desde petiz, ter um carteiro na minha rua que se chamasse Pat, viesse numa carrinha vermelha e tivesse um gato...agora um carteiro Paulo? Um carteiro Paulo já eu tive na minha rua, tinha bigode, vestia um colete cinzento deslavado, andava a pé e tinha tudo menos uma cara simpática.

Isto tudo deve ser com medo que as crianças não saibam que um P A T, faz o pequeno nome Pat, agora mudem lá o nome do senhor rapaziada da RTP2, eu já nem consigo dormir!!

quinta-feira, 22 de março de 2007

P.P. - Porrada e Palavrões


A política nacional está de parabéns!
Finalmente temos um partido que é o espelho da nossa sociedade. O Partido Popular mostrou que os políticos também são pessoas divertidas. São gente do povo como nós.
Mais que isso, têm um vocabulário extremamente rico. A quantidade de palavrões que os partidários do PP conseguem proferir por segundo, deve ser recorde.
Apesar de não ter qualquer filiação política, no próximo congresso do PP quero estar presente e quem sabe mandar um ou outro “bitaite”. Contudo, tenho esperança que melhore ainda mais, que para o ano haja frango assado para todos, garrafões de vinho e algumas sandes de torresmos.
Nessa altura vou gritar “ASSIM SE VÊ, PORRADA NO PP!”

domingo, 18 de março de 2007

Queremos ver! Queremos ver!


Passado um ano, a menina raptada no hospital de Penafiel apareceu. Esta é uma grande notícia, até para o pai adoptivo que não imaginava que a criança que lhe apareceu em casa não era sua filha. Parece-me que as famosas cegonhas continuam a fazer das suas e é nisso que queremos acreditar.
À chegada, a criança foi recebida com pompa e circunstância. Centenas de pessoas de vários cantos do país dirigiram-se a essa pequena localidade para a poderem ver. Houve música, dança, vinho e frango assado para todos. Lindo, somos um país tão festivo!

Mas o que era festa rapidamente deu lugar à indignação, porque os "maléficos" pais teimavam em manter a criança afastada de todos estes tumultos, não fosse a agitação claramente prejudicial. Foi em altos brandos que a festança ficava estragada, de entre gritos de horror por tamanha crueldade, havia uma senhora que dizia: “Não nos deixam ver a menina! Isto não se faz! Queremos ver a menina!”. No país real há que lutar por tudo. Temos que ter uma razão para viver, mesmo que o motivo seja a vida dos outros. Deste rol de indignações destaca-se o olhar traumatizado daquela pobre senhora que não pode ver "a menina", temos todos tanta pena.

O furor era tanto, que em busca de um pouco de tranquilidade os pais foram impedidos de fechar os próprios estores, tal não era o fervor das pessoas que forçavam a sua abertura. Isso não se faz, fechar os estores para não vermos "a menina"! Que coisa horrível!
Existe um símbolo que falta na nossa bonita bandeira nacional. A par das quinas e da esfera armilar também deveriam existir uns binóculos. Passamos de conquistadores destemidos para mirones inveterados.

Rua Sésamo - Canção da Campaínha

Caros amigos, assim percebo o porquê de só cantar músicas irritantes, foram canções como as cantilenas repetitivas da rua sésamo que fizeram este estrago a milhares e milhares de crianças.
Desde a canção do telefone, a da vaca ou a do ginasticar, com voz do Gualter (o mitico Lecas aka José Jorge Duarte), passando por esta que hoje vos deixo aqui, a canção das campainhas e vão ver se não ficam o resto do dia a gritar com voz estridente
"RRinnngalinnn RRiiinnngalinnnn todos vão ouvir as campainhas" Chiça já esta!!!! Raios!!!!

sábado, 17 de março de 2007

Rodrigo Leão - O génio tímido


Estou Esgamado!!!!!
Já passaram algumas horas e continuo ainda siderado com o recital musical que assisti ontem à noite.
O espetáculo do Rodrigo Leão é mais do que um simples concerto de música, é uma experiência, uma lição e um retrato exacto de amor à arte, um exemplo de dedicação e gosto únicos. Se já era fã e digno conhecedor do trabalho deste grande músico e compositor, conhecendo os seus cd´s, ouvir as suas músicas ao vivo é completamente diferente, cada som, cada entrada de instrumento, nada fica ao acaso é como se os instrumentos fossem a continuação do corpo de música extraordinários, que fazem o que gostam e se entregam à música de uma forma exemplar. É como se estivéssemos a assistir a um animado diálogo de um grupo de grandes amigos, mas em que estes não usam a boca para falar, mas sim os intrumentos, GENIAL!!
Rodrigo é um mestre na música que faz e é um mestre a escolher quem o acompanha, desde os violinos, ao acordeão, passado pela guitarra, tudo toca numa sintonia tão perfeita que acaba por soar a poesia, senti-me um privilegiado por poder assitir a um espectáculo incrivel, fazendo com que uma hora e meia de boa música pareça uma manta muita bem trabalhada, aconselho vivamente e tenho pena que este espetáculo apenas esteja nesta sala duas noites, pois o auditório dos ocenos do novo casino é uma casa com condições fantásticas.

Um grande bem-haja ao nosso Rodrigo Leão, pois é sinónimo de qualidade... que continue a pintar bonitas telas musicais!!!

Bem agora já posso ir comer barras de Marzipan!!!!!!!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Portugal 2007 | Sabrina | Dança Comigo (vem ser feliz)

Vá, meus amigos. É apenas o complemento do Post do Ogre.
Mas meu amigo, 10 pontos!! Estamos a ser um pouco optimistas, não?

terça-feira, 13 de março de 2007

O Festival dos Festivais

Em casa dos meus pais, nos anos 80, quando ainda só haviam 2 canais, sempre houve uma tradição em relação ao Festival RTP da Canção. Era como que um ritual, durante a tarde a minha mãe fazia um bolo e à noite sentavamo-nos todos em frente ao televisor a observar atentamente o certame.

À medida que fui crescendo e que foram aparecendo mais canais, a tradição perdeu-se e, este ano lamentei profundamente que tal tivesse acontecido.

Este ano voltei a ver o Festival da Canção, e em boa hora o fiz, estimado(s) leitor(es). Assim poderei partilhar consigo(vosco) tão rico espectáculo de luz, cor, fantasia, humor e acho que também por lá ouvi alguma música.

O que por lá passou:
- Um tema de já-não-sei-quem que finalmente aproveitou para musicar o genial trocadinho do "Ipod - Ai pode".
- Um tema (letra e música de José Cid) interpretado com um indivíduo que deve ter sido descoberto para a música numa oficina de bate-chapas ou numa serralharia. De salientar que o artista se fez acompanhar em palco por uma vistosa guitarra, na qual, curiosamente não chegou a tocar. Nem mesmo a fingir... José Cid presenteou-nos com rimas do calibre "ficar/mar" ou "relento/vento".
- Uma música musicada pelos Corvos que parecia quase a música da Coca-Cola dos anos 90.
- Uma mistura de fado(?) com (e aí vem uma expressão que aprecio sobremaneira) "hip-hop tuga" em que abundaram os "yeahs" e os "ahans"
- Uma interpretação do novo hino da RTP que, apesar de ter sido feita com um playback tão mau, só que apercebi disso quando o visionei pela quarta vez. Foi quando consegui tirar os olhos do generoso decote da "cantora".
- A apresentadora, Isabel Angelino, vestindo uma espécie de abat-jour ou uma daquelas redes usadas na pesca do lavagante.
- A canção vencedora não me pareceu assim tão má. Afinal de contas, a Soraia ou Marlene ou Rebeca ou lá como é que ela se chamava presenteou-nos com uma indumentária que incluía uma racha até quase ao umbigo. Além disso, felizmente, a minha televisão tem um botão que diz "mute" o que tornou o processo muito menos doloroso.

Assim sendo, a nossa representação em Helsinquia sera feita por um tema pimba. Se tivermos mais de 10 pontos já vai ser francamente positivo.

Post Light

Devido a compromissos profissionais, que me "obrigam" a almoçar relativamente cedo e a sair relativamente tarde, desenvolvi uma tendência um tanto ou quanto compulsiva para comprar um lanchinho para comer a meio da tarde.
Normalmente o pequeno snack eram 6 croissants (que vêm embalados numa caixa de plástico e que dá muito trabalho estar a pedir para me darem apenas 3 ou 4) ou uma caixa de 4 donuts.

Admito que, à primeira vista, possa parecer um exagero, mas a minha intenção é das melhores: comer um ou dois donuts (ou dois os três croissants) e levar o resto para casa, para a ceia.
O que é certo é que tal nunca veio a suceder. Não consigo aguentar e viro, à vontade, os 4 donuts de uma assentada.

É uma façanha que impressiona o gajedo, mas ao fim de 3, vá lá, 4 semanas é coisa para obrigar a usar outro buraco do cinto.
Para tentar controlar o peso decidi arriscar, não a deixar os donuts, mas a experimentar donuts light e o resultado não foi o melhor. Na minha opinião a finalidade dos produtos light é terem menos 20 ou 30% das gorduras polissaturadas não desvirtuando o sabor do original. Se for para estar a comer uma cena que tem o aspecto de um donut, a textura de um donut, mas que depois sabe a uma fatia de pão integral barrado com uma fina camada de manteiga magra onde é que está a proeza?
Vamos lá a puxar pela cabeça, oh senhores da Panrico, e fazer dos donuts light alguma coisa de jeito!